Ó CONAS E CARALHOS, CUIDAI-VOS!: CAMPOS LEXICAIS DAS ZONAS ERÓGENAS NA OBRA CONTOS D’ESCÁRNIO: TEXTOS GROTESCOS, DE HILDA HILST

Résumé

Partindo do pressuposto de que a linguagem é um produto social e de que nela encontram-se refletidos os valores sociais, no presente trabalho discutimos o vocabulário das zonas erógenas presente na obra Contos d’escárnio: textos grotescos (2002 [1990]), de Hilda Hilst. Objetivamos, com isso, refletir sobre o léxico erótico-obsceno, a partir da compreensão de como esse vocabulário se apresenta no discurso literário em questão. Neste estudo, coletamos as lexias referentes às denominações das zonas erógenas e as organizamos em campos lexicais, tendo em vista o trabalho de Orsi (2009). Para cumprir tal empreitada, recorremos a estudiosos como Petter (2005), Souza (2007), Abbade (2011) e outros. Constatamos que o léxico erótico-obsceno presente na obra analisada constitui a literatura de vertente pornográfica da autora. Esta investigação agrega aos estudos lexicais, pois avança com os debates acerca de um léxico ainda pouco explorado, o das obscenidades, especialmente no discurso literário.

Bibliographies de l'auteur

Ana Vitória Gomes Moreira, Universidade Federal de Catalão (UFCAT)

Graduada em Letras Português pela Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Atualmente, é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL/UFCAT), da Universidade Federal de Catalão. Catalão, Goiás, Brasil.

 

Vanessa Regina Duarte Xavier , Universidade Federal de Catalão (UFCAT)

Doutora em Letras pelo programa de Filologia e Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professora da Universidade Federal de Catalão (UFCAT) e diretora do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), atuando no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL/UFCAT). 

Références

ABBADE, Celina Márcia de Souza. A lexicologia e a teoria dos campos lexicais. Cadernos do CNLF, Rio de Janeiro, v. 15, n. 5, p. 1332-1343, 2011.

ABBADE, Celina Márcia de Souza. Lexicologia social: a lexemática e a teoria dos campos lexicais. In.: ISQUERDO, Aparecida Negri; SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de (org.). As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. Volume VI. Campo Grande: Ed. UFMS, 2012. p. 141-161.

AZEVEDO FILHO, Deneval Siqueira de. Holocausto das fadas: a trilogia obscena e o Carmelo Poético de Hilda Hilst.1996. 114 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, São Paulo: 1996. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/296820591.pdf. Acesso em: 29 ago. 2022.

BIDERMAN, Maria Tereza Camargo. A estrutura mental do léxico. In: Estudos de Filologia e Lingüística. São Paulo: T. A. Queiroz / Universidade de São Paulo, 1981, p. 131-145.

BIDERMAN, Maria Tereza Camargo. A estruturação do léxico e a organização do conhecimento. Letras de Hoje. Porto Alegre: PUCRS, 1987. v. 22, n. 4, p. 81-96.

BIDERMAN, Maria Tereza Camargo. As ciências do léxico. In.: OLIVEIRA, Ana Maria Pinto Pires de. ISQUERDO, Aparecida Negri (Orgs.). As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. 2. ed. Campo Grande-MS. EDUFMS, p. 13-22, 2001.

BORGES, Luciana. Narrando a edição: escritores e editores na Trilogia obscena, de Hilda Hilst. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, núm. 34, 2009, pp. 117-145. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/3231/323127098005.pdf. Acesso em: 22 jul. 2022.

CAMARA JÚNIOR, Joaquim Mattoso. Língua e cultura. Revista Letras, [S.l.], v. 4, dez. 1955. ISSN 2236-0999. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/letras/article/view/20046. Acesso em: 29 ago. 2022. doi: http://dx.doi.org/10.5380/rel.v4i0.20046. p. 51-59.

CARDOSO, Elis de Almeida. O Léxico no Discurso Literário: A Criatividade Lexical na Poesia Moderna e Contemporânea. São Paulo: Edusp, 2018.
COSERIU, Eugenio. El hombre y su lenguaje. Estudios de teoría y metodología lingüística. Madrid: Editorial Gredos, 1977.

COSERIU, Eugenio. Vers une typologie des champs lexicaux. Cahiers de lexicologie. 1972. p. 29-51.

FRANCISCO, Ronnie. Na falha da gramática, a carne: a pornografia em Hilda Hilst. 2007. 116 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte: 2007. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/ECAP-76BHLL. Acesso em: 22 jul. 2022.

GOMES, Rita de Kássia de Aquino. A estética hilstiana, em Contos d’escárnio. Textos grotescos, à luz da pornografia. 2016. 95 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Departamento de Letras. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem. Natal: 2016. Disponível em: https://bityli.com/PhyIbiX. Acesso em: 22 jul. 2022.

HENRIQUES, Claudio Cezar. Léxico e semântica: estudos produtivos sobre palavra e significação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

HILST, Hilda. Contos d’escárnio: textos grotescos. 2. ed. São Paulo: Globo, 2002.

HILST, Hilda. O caderno rosa de Lori Lamby. São Paulo: Globo, 2005.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa versão monousuário 1.0. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

JERONIMO, Gabriela Guimarães; BORGES, Luciana. O vocabulário infantobsceno em O caderno rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst: as escolhas lexicais na nomeação das genitálias. Revista Alere, v. 17, n. 1, p. 225-246, 2018. Disponível em: https://periodicos2.unemat.br/index.php/alere/article/view/3519/2799. Acesso em: 18 jul. 2022.

LARA, Luis Fernando. Curso de lexicologia. México, D.F.: El Colegio de México, 2006.

LOPES, Ana Cristina Macário; RIO-TORTO, Graça. Semântica. Lisboa: Editorial Caminho, 2007.

MAINGUENEAU, Dominique. O discurso pornográfico. Tradução: Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Editora: Melhoramentos Ltda. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em 20 jul. 2022.

ORSI, Vivian. Metáforas do universo lexical português e italiano das zonas erógenas: ânus, nádegas, pênis, seios, testículos e vulva. 2009. 225 f. Tese (Doutorado em Estudos Lingüísticos) – Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. São José do Rio Preto: 2009.

PETTER, Margarida. Linguagem, língua, lingüística. In.: FIORIN, José Luiz. Introdução à lingüística. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2005. p. 11-24.

RODRIGUES DE SÁ, Celi de Souza Nunes; CANELLA, Paulo Roberto Bastos; JURBERG, Marize. Sexo anal nas relações heterossexuais. Revista Brasileira de Sexualidade Humana. [S. l.], v. 15, n. 2, 2020. DOI: 10.35919/rbsh.v15i2.497. Disponível em: https://www.rbsh.org.br/revista_sbrash/article/view/497. Acesso em: 28 ago. 2022. p. 59-72.

SAUSSURE, Ferdinand de (1916). Curso de Lingüística Geral. 27. ed. Tradução de Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. São Paulo: Cultrix, 2006.

SOUZA, Vivian Regina Orsi Galdino de. Vocabulário erótico-obsceno dos órgãos sexuais masculino e feminino em português e italiano. 2007. 264 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Lingüísticos) – Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. São José do Rio Preto: 2007.

STAROBINSKI, Jean. A literatura: O texto e seu intérprete. In.: LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. História: novas abordagens. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1976. p. 132-143.

AUTOR... 2017.
Publiée
2023-01-31