ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS EMPRÉSTIMOS NO KARAJÁ
Resumo
Numa situação de contato linguístico, há vários fenômenos que alcançam os sistemas linguísticos das comunidades de fala envolvidas no contato. Tendo em vista essa situação, um dos nossos objetivos é demonstrar como os falantes da língua minorizada Iny, falada pelos Karajá de Aruanã (GO), lidam com empréstimos provenientes da Língua Portuguesa - hegemônica -, do Tupi-Guarani e de outras línguas indígenas. Partindo dos estudos de Haugen (1950) sobre empréstimos linguísticos, pretendemos analisar como esse processo ocorreu com os Karajá, classificando-os, quando possível, nas categorias loanword, loanblend e loanshifts. Em relação aos empréstimos vindos do Tupi-Guarani e de outras línguas indígenas, mostraremos suas origens e algumas particularidades. A metodologia empregada para a geração e análise dos dados parte da pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, estudo de caso e etnografia. Sabemos que as políticas públicas e linguísticas afetam diretamente o léxico de uma língua, pois língua é poder de dominação, a língua portuguesa prevalece em Aruanã como primeira língua em Buridina, esta terra está no centro da cidade, em Budburè a língua Iny é primeira língua, esta terra indígena é recente, e grande maioria dos indígenas que ali residem vieram da Ilha do Bananal, lá os Karajá só falam em Iny.
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