A EXPERIÊNCIA DE SER BEBÊ NA CRECHE: O ATOR SOCIAL E A CONSTITUIÇÃO DA DOCÊNCIA

Ângela Maria Scalabrin Coutinho Coutinho

Resumo


Este artigo objetiva discutir a concepção de criança-ator e os seus desdobramentos para a constituição da docência na creche. Para tal toma como base dois estudos, um desenvolvido em uma creche pública em Florianópolis (BR) e outro em uma creche vinculada à solidariedade social da cidade de Braga (PT). Ambas as pesquisas foram etnográficas, com registros em diário escrito e vídeos e foram desenvolvidas com crianças entre cinco meses e três anos. Ao gerar dados com as crianças nos diferentes contextos observou-se que os bebês, enquanto atores sociais competentes, relacionam-se com seus pares criando cultura com repertórios provenientes das suas mais variadas experiências sociais. O corpo aparece como elemento de destaque nas relações sociais entre os bebês. Quanto à docência, foi possível identificar que, a depender da concepção de bebê e da relação estabelecida pelas professoras com os bebês, a sua capacidade de ação e relação social se altera profundamente, o que permite afirmar que se faz necessário problematizar a efetivação do discurso da criança enquanto sujeito de direitos e ator social, para que possamos avançar em uma relação que reconheça a cidadania ativa e a participação das crianças, desde bebês, nas diferentes esferas de socialização. 


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