RECONFIGURANDO A DEMOCRACIA NO CONTEXTO BRASILEIRO À LUZ DAS TEORIAS DE GÊNERO
Resumo
O artigo analisa os limites das teorias clássicas da democracia à luz das contribuições feministas, destacando como a divisão entre público e privado sustenta desigualdades de gênero. Por meio de revisão bibliográfica, o trabalho discute as concepções de democracia deliberativa de Jürgen Habermas e as críticas formuladas por Seyla Benhabib e Flávia Biroli, especialmente no que se refere à divisão sexual do trabalho, à idealização da maternidade e à invisibilização das mulheres na esfera pública. Argumenta-se que a exclusão das experiências femininas configura não apenas um déficit democrático, mas também epistemológico. A partir dessa perspectiva, o artigo propõe a reconfiguração da democracia brasileira para que se torne mais inclusiva, reconhecendo as interseccionalidades entre gênero, classe e raça como essenciais à efetivação dos direitos humanos.
Referências
AVRITZER, Leonardo. Democratic theory and the formation of a public sphere. In: AVRITZER, Leonardo. Democracy and the public space in Latin America. Princeton: Princeton University Press, 2002. cap. 2, p. 36-54.
BIROLI, Flávia. Gênero e desigualdades: os limites da democracia no Brasil. 1º Ed. São Paulo: Boitempo, 2018.
BENHABIB, Seyla. Situando o self: gênero, comunidade e pós-modernismo na ética contemporânea. Trad. Ana Claudia Lopes; Renata Romolo Brito. Brasília: UNB, 2021.
HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre faticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. 2 v.
HABERMAS, Jürgen. Teoria do agir comunicativo: racionalidade da ação e racionalização social. Tradução de Paulo Astor Soethe. São Paulo: Editora WMO Martins Fontes, 2012 [1981].
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