A LEI Nº 10.216/2001 E A TRANSFORMAÇÃO DO TRATAMENTO JURÍDICO DAS QUESTÕES RELACIONADAS À SAÚDE MENTAL NO BRASIL: INTERFACES ENTRE O DIREITO, ATENÇÃO PSICOSSOCIAL E A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO NA REFORMA PSIQUIÁTRICA

  • Deilton Alves Monteiro Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica)
  • Valdirene Cássia da Silva Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica)
Palavras-chave: Reforma Psiquiátrica. Direitos Humanos. Saúde Mental. Transtornos Mentais. Política Antimanicomial.

Resumo

O tratamento das pessoas com transtornos mentais no Brasil carrega, em sua história, marcas de exclusão, negação de direitos e práticas de violência institucional. Este trabalho analisa, em perspectiva jurídica e histórica, as transformações ocorridas na política de saúde mental, enfatizando os rumos tomados a partir da Lei nº 10.216/2001, como ponto central da Reforma Psiquiátrica e da política antimanicomial. A pesquisa examina a contribuição desse modelo para a proteção dos direitos humanos das pessoas com transtornos mentais, incluindo aquelas em conflito com a lei. Metodologicamente, utiliza-se uma abordagem qualitativa, com método histórico-jurídico e análise de leis e documentos. Observam-se avanços importantes na garantia de direitos, mas, por outro lado, revelam-se contradições entre o sistema de justiça criminal e as políticas de saúde mental, evidenciando a importância da integração institucional e da humanização do cuidado. Conclui-se que a transformação do tratamento jurídico das questões relacionadas à saúde mental no Brasil ainda depende de mudanças estruturais, culturais e jurídicas para seu pleno desenvolvimento e efetivação.

Referências

AGÊNCIA BRASIL. Pai confessa que matou filho de 1 ano e 11 meses no DF. Brasília, DF, 19 nov. 2019. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2025.

AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1998.

ARBEX, Daniela. Holocausto brasileiro: genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil. São Paulo: Geração Editorial, 2013.

BASAGLIA, Franco. A instituição negada: relato de um hospital psiquiátrico. Rio de Janeiro: Graal, 1968.

BARROS, Regina Benevides de; PASSOS, Eduardo. A cartografia como método de pesquisa-intervenção. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da (org.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015. p. 17–31.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 31 dez. 1940.

BRASIL. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 13 out. 1941.

BRASIL. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 abr. 2001.

BRASIL. Lei nº 10.708, de 31 de julho de 2003. Institui o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1º ago. 2003.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 dez. 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Serviços residenciais terapêuticos: o que são e para que servem. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2004.

CACICEDO, Patrick Lemos; SANTOS, Thiago Pedro Pagliuca dos. Execução penal e saúde mental: crítica da medida de segurança e direitos fundamentais a partir do regime de dupla garantia. Revista Brasileira de Direito, Passo Fundo, v. 18, n. 2, p. 1–26, 2022.

FOUCAULT, Michel. História da loucura na Idade Clássica. 9. ed. São Paulo: Perspectiva, 2001.

GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1988.

GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. 7. ed. São Paulo: Perspectiva, 2001.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2022: características dos domicílios e dos moradores. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.

INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS. Saúde mental no Brasil: dados e panorama. São Paulo: Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, 2024. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2025.

IUS COMMUNE. Grupo de Estudos e Pesquisa em História da Cultura Jurídica. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2020. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2025.

MACHADO, Roberto; LOUREIRO, Andréa; LUZ, Rogério; MURICY, Kátia. Danação da norma: medicina social e constituição da psiquiatria no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1978.
OLIVEIRA, Wilson Ferreira de. Reforma psiquiátrica e atenção psicossocial: contextualização sócio-histórica, desafios e perspectivas. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, v. 4, n. 9, p. 52–71, 2012.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Proteção e promoção da saúde mental na Região das Américas. Washington, DC: Organização Pan-Americana da Saúde, 2022. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2025.

ROTHMAN, David J. The discovery of the asylum: social order and disorder in the new republic. Boston: Little, Brown, 1971.

SZASZ, Thomas Stephen. A fabricação da loucura: um estudo comparativo entre a Inquisição e o movimento de saúde mental. Rio de Janeiro: Guanabara, 1976.

TENÓRIO, Fernando. A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos dias atuais: história e conceito. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 25–59, 2002.
Publicado
2026-04-06