RACISMO E VIÉS ALGORÍTMICO NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR
Resumo
Este trabalho constitui-se como um recorte da dissertação de mestrado intitulada "Ensino Superior na Era da Inteligência Artificial: Um olhar a partir das pesquisas stricto sensu desenvolvidas no período de 2000 a 2024", defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Tocantins. O estudo analisa o viés e o racismo algorítmico no ensino superior, a partir de produções acadêmicas brasileiras sobre Inteligência Artificial desenvolvidas entre 2000 e 2024. Trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, fundamentada no método do Estado do Conhecimento. O corpus foi composto por dissertações e teses da base da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), organizadas em categorias temáticas. Os resultados evidenciam predominância de estudos voltados à aplicação instrumental da IA, com ênfase na personalização da aprendizagem e na automação de processos, enquanto abordagens críticas ainda são escassas. Identificam-se indícios de viés algorítmico em sistemas preditivos, avaliação automatizada e uso de dados históricos, que podem reforçar desigualdades educacionais. Conclui-se que a Inteligência Artificial deve ser compreendida como fenômeno sociotécnico, exigindo ampliação de pesquisas que problematizem seus impactos no ensino superior. Essa perspectiva justifica-se pelo fato de que a IA não opera em um vácuo de neutralidade, mas replica e amplifica opressões históricas e preconceitos estruturais, tornando a identificação do racismo algorítmico uma etapa indispensável para evitar a exclusão de grupos minoritários nos ambientes acadêmicos.
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