INTERFACES ENTRE GÊNERO, DIREITOS E CULTURA: A REPRESENTAÇÃO INDÍGENA NO CINEMA DOCUMENTAL
Resumo
Este artigo investiga a interseção entre feminismos, direitos humanos e a representação de nós mulheres indígenas no cinema e documentários, com ênfase na forma como nós somos retratadas nas produções audiovisuais. A pesquisa adota os referenciais teóricos da interseccionalidade e dos marcadores sociais da diferença para investigar como tais representações impactam a construção de identidades e o reconhecimento de direitos. A partir da análise crítica de três filmes – Rionegrinas (2023), A Terra dos Índios (1979) e Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2018) – o estudo evidencia a persistência de estereótipos coloniais e da hipersexualização dos corpos femininos indígenas. Ao denunciar essas narrativas recorrentes, o artigo aponta para a urgência de produções que rompam com visões exotificadas e promovam representações autênticas, que valorizem a agência, a resistência e o protagonismo de nós mulheres indígenas nas lutas por identidade, território e autonomia.
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