A REPRESENTAÇÃO DISCURSIVA DOS RODOVIÁRIOS EM SITUAÇÃO DE PROTESTOS NAS MANCHETES DE JORNAIS ON-LINE

Palavras-chave: ADC. Representação Discursiva. Jornal on-line. Trabalhadores Rodoviários.

Resumo

Neste artigo analisamos a complexidade de investigar problemas sociais por meio dos discursos, utilizando as categorias discursivas de tempo e espaço da Análise de Discurso Crítica. O contexto discursivo estudado foi o da situação do transporte público sobre a perspectiva do protagonismo dos protestos de rodoviários/as e por isso a articulação argumentativa do texto foi construída a partir de uma perspectiva crítica entre AD e Semiótica. Os dados analisados são manchetes de notícias web, coletadas nas plataformas dos dois principais jornais da cidade de Brasília[1].  Os resultados das pesquisas sociais não têm o objetivo de generalização sobre os dados, pois esses dados são espacial e temporalmente específicos de uma situação sócio-histórica. Isso significa dizer que o caminho da pesquisa qualitativa é tão relevante quanto o resultado, no sentido de oferecer subsídios para outros estudos que provoquem consciência crítica e mudança social. Este artigo analisou a representação discursiva de protestos de trabalhadores/as rodoviários/as nas manchetes de jornais, focalizando a situação social do transporte público da cidade de Brasília, enfatizando que o transporte público, além de todos os problemas sociais (infraestrutura, preço, acessibilidade, violência, entre outros), é também um problema discursivo.

 

[1] Este artigo é um recorte de minha pesquisa de doutorado.

Biografia do Autor

Sinara Bertholdo, Universidade Estadual de Goiás

Doutorado pelo PPGL da Universidade de Brasília, professora na Universidade Estadual de Goiás.

Referências

BAUER, M. W., & GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petropólis: Vozes, 2011.

BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. São Paulo: Editora 34, 2016.

BERTHOLDO, S. Discurso, espaço e tempo: trabalho e luta de rodoviários no Distrito Federal. Brasília. Universidade de Brasília, 2017.

CHOULIARAKI, L.; FAIRCLOUGH, N. Discourse in late modernity: rethinking critical discourse analysis. Edinburgh: University Press, 1999.

COCCO, R. G.; SILVEIRA, M. R. Circulação, transportes e logística: diferentes perspectivas. São Paulo: Appris, 2011.

DAMATTA, R. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

_______________. A casa & a rua. Rio de janeiro: Rocco, 2010.

ELIAS, N. Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.

ENGELS, F. Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. In: Antunes, R. A dialética do trabalho: escritos de Marx e Engels (p. 13-29). São Paulo: Expressão popular, 2013.

FAIRCLOUGH, N. Critical Discourse Analysis: the critical study of language. United Kingdom: Pearson, 2010.

_______________. Discurso e mudança social. Brasília: Editora UnB, 2008.

FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009.

KOVACK, B.; ROSENSTEIL, T. Os elementos do jornalismo: o que os jornalistas devem saber e o público exigir. São Paulo: Geração Editorial, 2004.

JORGE, T. Mutação no jornalismo: como a notícia chega à internet. Brasília: Editora UnB, 2013.

LAGE, N. (2006). Estrutura da notícia. São Paulo: Ática.

LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metaphors: we live by. Chicago e Londres: The University of Chicago Press, 2003.

MAGALHÃES, I. Teoria crítica do discurso e texto. Rev. Linguagem em (Dis)curso, 2004, p. 113-131.

MASON, J. Qualitative Research. Londres: SAGE, 2002.

MEY, J. L. As vozes da sociedade. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001.

PARDO ABRIL, N. G. Cómo hacer análisis crítico del discurso: uma perspectiva latinoamericana. Bogotá, Colombia: Universidad Nacional del Colombia, 2013.

_______________. O discurso multimodal e multimidial: explorações analíticas. In: Outras perspectivas em análise de discurso crítica. (Trad. Sinara Bertholdo). São Paulo: Editora Pontes, 2016.

PASQUINI, A. S.; TOLEDO, C. A. (2008). O discurso pedagógico e político da hierarquia da Igreja Católica em Maringá (PR) nos anos 60 e 70 do século XX n’O Jornal de Maringá. Roteiro, Joaçaba, v. 33, n. 1, p. 51-76, jan./jun. 2008.

RESENDE, V. M. Análise de discurso crítica e etnografia: o movimento nacional de meninos e meninas de ruas, sua crise e o protagonismo juvenil. Brasília: Universidade de Brasília, 2008.

_______________. Violência simbólica: representação discursiva da extrema pobreza no Brasil -relações entre situação de rua e vizinhança. Discurso & Sociedad, 106-128, 2015.

RESENDE, V. M; RAMALHO, V. Análise de discurso crítica. São Paulo: Contexto, 2011.

RICHARDSON, J. E. Analysing newspapers: an approach from Cristical Discourse Analysis. New York: palgrave macmilan, 2007.

SANTOS, M. A natureza do espaço. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

_______________. Tempo nas cidades. Coleção Documentos, série Estudos sobre o Tempo, fascículo 2, fevereiro de 2001.

THOMPSON, J. B. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. Petrópolis: Vozes, 2011.

VAN LEEUWEN, T. Discourse and practice: new tools for critcial discourse analysis. Oxford: University Press, 2008.

VENTURA, C. S.; LIMA-LOPES, R. E. A transitividade em português. DIRECT Papers 55 -2008.

VERÓN, E. A produção de sentido. São Paulo: Cultrix, 1980.

VILLAÇA, F. São Paulo: segregação urbana e desigualdade. Estudos avançados 25 (71), 2011.

ZIZEK, S. Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro, RJ: Contraponto, 1996.

Publicado
2021-01-25