MIGRANTE, ESCOLA E UMA EXPERIÊNCIA DE ESCUTA

Palavras-chave: Migração. Escola. Inclusão. Escuta. Diferença.

Resumo

Considerando o crescente fluxo migratório Sul-Sul, com destaque para famílias bolivianas e haitianas em Francisco Morato, percebe-se que a escola ainda reproduz práticas excludentes e desumanizadoras, distanciando educadores e famílias migrantes. Desta maneira, objetiva-se refletir sobre a escola como espaço de escuta e inclusão, ressignificando a diferença e a língua como pontes para o pertencimento. Para tanto, procede-se a encontros dialógicos entre professores, gestores e famílias migrantes, a partir do arcabouço teórico de Paulo Freire, Silvia Orrú, Enrique Dussel, Donatella Di Cesare e outros. Portanto, as análises apontam para resistências institucionais, mas também para possibilidades de diálogo crítico. Conclui-se que práticas pedagógicas de escuta, cuidado e plurilinguismo fortalecem a educação democrática. Destarte, a contribuição oferecida é a proposição de uma pedagogia do encontro que reconheça a diferença como fundamento da convivência e da transformação social.

Referências

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Publicado
2026-04-06