EDITORIAL
Abstract
A extensão universitária, quando compreendida em sua dimensão transformadora, deixa de ser um apêndice do currículo para se tornar o território onde o conhecimento acadêmico ganha sentido social e ético. Ao reunirmos neste dossiê, intitulado "Conhecimento, Comunidade e Sustentabilidade: Experiências do Projeto TO Sustentável na Unitins", as trajetórias de 20 manuscritos que sistematizam ações em 15 municípios tocantinenses, não estamos apenas apresentando relatos de experiência, mas sim interrogando o papel da universidade pública no desenvolvimento regional. O que se evidencia nestas páginas é o registro de uma instituição que, por meio do curso de Tecnologia em Gestão Pública e do Programa TO Graduado, rompe seus muros para dialogar com as urgências do território e com os desafios da Agenda 2030.
As ações aqui apresentadas revelam a magnitude de um esforço coletivo que mobilizou mais de 500 acadêmicos e alcançou cerca de 11 mil pessoas. A pluralidade dos trabalhos reflete a própria complexidade da sustentabilidade: da segurança alimentar materializada em hortas escolares em Sítio Novo e Natividade, à gestão de resíduos e economia circular em Colmeia e Ponte Alta. Evidencia-se que a extensão, neste contexto, funcionou como um espaço de invenção e diálogo, onde o cultivo de alimentos tornou-se ferramenta pedagógica e o resíduo sólido foi ressignificado como recurso, promovendo a responsabilidade compartilhada entre a academia e a comunidade escolar.
Do ponto de vista formativo, cabe enfatizar que esses percursos expuseram os estudantes de Gestão Pública a realidades que transcendem a teoria das políticas públicas. Ao enfrentarem questões críticas como a preservação de recursos hídricos em Campos Lindos ou a mobilidade urbana ativa por meio do projeto "Pedala Escola", os acadêmicos exercitaram o protagonismo e a liderança necessários à gestão contemporânea. Trata-se de uma aprendizagem que é também política, pois confronta os futuros gestores com os determinantes socioambientais que moldam a vida nos municípios, exigindo deles não apenas competência técnica, mas sensibilidade e compromisso com a cidadania.
Essas práticas, vale destacar, não permanecem circunscritas ao local; elas dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e fortalecem a presença da Unitins como indutora de um futuro mais resiliente. A extensão, nesse sentido, projeta-se como vetor de transformação social, onde aquilo que nasce em espaços comunitários muitas vezes invisibilizados ganha densidade científica e visibilidade institucional. Ao documentar estas experiências, reafirmamos o entendimento de que a integração entre universidade e sociedade é o caminho mais fértil para a construção de um Tocantins ambientalmente equilibrado e socialmente justo.
Assim, o presente dossiê não se limita a expor resultados quantitativos, mas convida o leitor a refletir sobre a concepção de universidade que desejamos consolidar. A extensão, mais do que um conjunto de práticas, situa-se aqui como uma categoria crítica que nos permite interrogar as relações entre conhecimento e comunidade, reafirmando a função social da universidade e sua ligação indissociável com os princípios democráticos de justiça social e sustentabilidade.
