EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS RELATIVAS À COR PRETA: O PROCESSO DE RESSIGNIFICAÇÃO CRÍTICA DE METÁFORAS NEGRAS
Palavras-chave:
Expressões idiomáticas. Metáforas. Ressignificação.Resumo
Este artigo tem o objetivo de investigar o processo de ressignificação crítica de expressões idiomáticas (EI) relativas à cor preta pela comunidade negra por meio de consulta em mídias variadas. Em um primeiro momento, foram realizados estudos teóricos acerca das metáforas conceptuais. Em seguida, fez-se uma busca em três dicionários de língua portuguesa (Aurélio online; Houaiss, 2001 e o Dicionário de locuções e expressões da língua portuguesa, de Rocha e Rocha,2011) dos significados de quatro EI relacionadas à cor preta: 1) a coisa tá preta; 2) preto de alma branca; 3) rainha da cocada preta; 4) serviço de preto. No terceiro momento, foram pesquisados em sites da internet ressignificados dessas quatro expressões, realizados de modo crítico, inovador, combativo, político e resistente. Os resultados mostraram que a comunidade negra está atenta aos significados pejorativos das expressões e, aos poucos, está atribuindo novos sentidos a elas, contrapondo-se a perspectivas racistas. A ressignificação mais produtiva foi da expressão idiomática a coisa tá preta. Praticamente, não houve ressignificação de rainha da cocada preta. Trabalhos dessa natureza contribuem para a abordagem de aspectos sociais e culturais incluídos no sistema linguístico.
Referências
AMARAL, Mônica Guimarães Teixeira; SIQUEIRA JUNIOR, Kleber Galvão. Por uma epistemologia sul-americana com base nas culturas afro-brasileiras: um debate sobre o ensino culturalmente relevante nas escolas públicas de ensino fundamental. Educação, artes e inclusão, Florianópolis, v. 16, n. 3, p. 073-102, 2020. DOI: 10.5965/198431781632020073. Disponível em:<https://www.revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/view/17539>. Acesso em: 24 ago. 2022.
ANDRADE, Mário. de. A superstição da cor preta. Revista Apotheke, Florianópolis, v. 7, n. 1, 2021. DOI: 10.5965/24471267712021225. Disponível em: <https://www.revistas.udesc.br/index.php/apotheke/article/view/20350>. Acesso em: 25 ago. 2022.
ATAYDE, Francisca. “Krieg ist Krieg ist Krieg” («Guerra é guerra é guerra») – repetição e recriação no 'discurso fraseológico'. REAL revista de estudos Alemães, Universidade de Coimbra, n°1, p(127-149), jul., 2010.
AURÉLIO online. Aurélio- Dicio, Dicionário Online de Português, 2022. Página inicial. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/aurelio-2/>. Acesso em: 29 de ago. 2022.
BAHIA. Defensoria Pública do Estado Dicionário de expressões (anti) racistas: e como eliminar as microagressões do cotidiano. / Defensoria Pública do Estado da Bahia. - 1ª ed. - Salvador: ESDEP, 2021.
BAKHTIN, Mikhail M. Problemas da Poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981.
BARBOSA, Maria José Somerlate. Adão Ventura e o (Con)texto Afro-Brasileiro. literafro - O portal da literatura Afro-Brasileira, 2021. Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/487-adao-ventura-e-o-con-texto-afro-brasileiro#sdendnote1sym>. Acesso em: 19 de ago. de 2022.
BIGODE, Thiago. Leonina. Disponível em: <https://www.letras.mus.br/tiago-bigode/leonina/>. Acesso em: 13 de jan. 2022.
BUARQUE, Chico. Bom Conselho. Disponível em: <https://www.letras.mus.br/chico-buarque/85939/>. Acesso em 16 de dez. de 2021.
É um preto de alma branca. Ele gostaria de ser branco, diz Martinho da Vila sobre Sérgio Camargo. Canal Roda Viva, 2021. 1 vídeo (1:56). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uOFZNA0Bzmo>. Acesso: 19 ago. 2022.
FONSECA, André Azevedo da. O gentil infame – Expressões populares revelam racismo dissimulado na cultura brasileira. Revista Espaço Acadêmico, Fevereiro, 2003.
GARNET, Daniel e PEQNOH. Serviço de preto. Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/daniel-garnet-peqnoh/servico-de-preto.html#print>. Acesso em: 15 de jan. de 2022.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
HOUAISS, A. et alii. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1 ed. Rio de Janeiro: Objetiva Ltda, 2001.
LAKOFF, G.; JOHNSON, M. . Metáforas da vida cotidiana. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2002.
LI, Negra. Raízes (part. Rael). Disponível em: <https://www.letras.mus.br/negra-li/raizes-part-rael/>. Acesso em 17 de jan. de 2022.
OLIVEIRA, Rachel de. Tramas da cor: Enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar. [livro eletrônico]. São Paulo, SP: Selo Negro, 2005.
OLIVEIRA JÚNIOR, Wilson José de. Ensino de expressões idiomáticas do espanhol como L2: uma sequência didática cognitivo-funcional [manuscrito]. Goiânia, GO: Universidade Federal de Goiás, 2021.
PLANTIN, Rosemeire Selma Monteiro. Fraseologia: era uma vez um Patinho Feio no ensino de língua materna (Volume 1). Fortaleza, CE: Imprensa Universitária, 2014.
PERINI, Mário A. Gramática do portugues brasileiro. São Paulo, SP: Parábola Editorial, 2010.
PRETO de alma branca: o que faz Sérgio Camargo no comando da Fundação Palmares?. Jornal do Campus, 2020. Disponível em: <http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2020/12/preto-de-alma-branca-o-que-faz-sergio-camargo-no-comando-da-fundacao-palmares/>. Acesso em: 29 de ago. de 2022.
RIBEIRO, Lincoln Almir Amarante; CÂNDIDO, Gláucia Vieira. O universalismo semântico cognitivo em um estudo sobre termos básicos referentes a cores na língua indígena Shanenawa (Pano). Ciências & Cognição, v. 13, n. 1, 2008.
ROCHA, C. A. de M.; ROCHA, C. E. P. de M. Dicionário de locuções e expressões da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2011.
SAPIÊNCIA, Rincon. A coisa tá preta. Disponível em: <https://www.letras.mus.br/rincon-sapiencia/a-coisa-ta-preta/>. Acesso em: 16 de jan. de 2022.
SILVA, Davy Lima da. Expressões racistas: palavras e pré+conceitos. [livro eletrônico]. Marabá, PA: Ed. da Autora, 2021.
SOARES, Elza. A coisa tá preta (Mc Rebecca). Disponível em: <https://www.letras.mus.br/elza-soares/a-coisa-ta-preta-part-mc-rebecca/>. Acesso em: 16 de jan. de 2022.
VENTURA, Adão. A cor da pele. 1988. Disponível em: <https://vinteculturaesociedade.wordpress.com/2013/05/08/preto-de-alma-branca-ligeiras-conceituacoes/>. Acesso em: 19 ago. 2022.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
A submissão de originais para este periódico implica na transferência, pelos autores, dos direitos de publicação impressa e digital. Os direitos autorais para os artigos publicados são do autor, com direitos do periódico sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos resultados em outras publicações indicando claramente este periódico como o meio da publicação original. Em virtude de sermos um periódico de acesso aberto, permite-se o uso gratuito dos artigos em aplicações educacionais, científicas, não comerciais, desde que citada a fonte (por favor, veja a Licença Creative Commons no rodapé desta página).








