POLÍTICA SOCIAL E LINGUÍSTICA: REFLEXÃO SOBRE O CONFLITO LINGUÍSTICO E IDENTITÁRIO DO SUJEITO SURDO TERENA

Autores

  • Michelle Sousa Mussato UFMS
  • Claudete Cameschi de Souza Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Palavras-chave:

Política de língua(s). Surdo terena. Entre-línguas.

Resumo

Para refletir sobre as relações de saber-poder (FOUCAULT, 1987, 1990; 1996; 1999) inscritas no campo multifacetado da Política Linguística, sobretudo, às relações de força que se instauram na situação linguístico-cultural dos surdos terena, de modo transdisciplinar, utilizamo-nos das contribuições teóricas preocupadas com análise de língua(s), identidade(s)/identificações e cultura(s) dos sujeitos, a saber: Linguística Aplicada (MAHER, 2007), discussões sobre políticas e planejamentos linguísticos (CALVET, 2007), Análise do Discurso de origem francesa (CORACINI, 2003, 2007), e a arqueogenealogia foucaultiana (1990), para organizar nosso gesto interpretativo, tendo em vista o processo de (des)(re)territorialização e (des)identificação desses sujeitos na(s)/pela(s) língua(s) que lhes constituem/atravessam.

Biografia do Autor

  • Michelle Sousa Mussato, UFMS

    Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Câmpus de Três Lagoas. Tradutora/Intérprete de Libras _ Língua Brasileira de Sinais na UFMS. 

  • Claudete Cameschi de Souza, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

    Doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. 

Referências

BAUMAN, Zygmund. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Tradução Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana L. de L. Reis e Gláucia R. Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Inclui a temática indígena ao currículo da rede de ensino. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 05/06/2019.

______. Lei Federal nº 9.394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Brasília, DF, 1996.

BRITO, Rejane C. de C. Representações do professor de língua inglesa no ensino inclusivo dos alunos surdos. Dissertação (Mestrado em Letras) Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.

CAVALCANTE, Mônica M. Expressões referenciais: uma proposta classificatória. In Cadernos de Estudos lingüísticos. São Paulo: Unicamp, 2003, p. 105-116.

CALVET, L. J. As políticas linguísticas. Tradução Isabel de Oliveira Duarte, Jonas Tenfen e Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2007.

CORACINI. Maria J. F.; GHIRALDELO, C. (Orgs.). Nas malhas do discurso: memória, imaginário e subjetividade. Campinas: Pontes, 2011a.

______. A celebração do outro: arquivo, memória e identidade. Campinas: Mercado de Letras, 2007.

______. Identidade & discurso: (des)construindo subjetividades. Campinas: Editora Unicamp: Chapecó: Argos Editora Universitária, 2003.

ECKERT-HOFF, Beatriz N. Escritura de si e identidade: o sujeito professor em ação. Campinas, São Paulo: Mercado das Letras, 2008.

______. A denegação como possibilidade de "captura" do não-um no tecido do dizer. In: CORACINI, Maria J. F. Identidade & discurso (des)construindo subjetividades. Campinas: Editora Unicamp: Chapecó: Argos Editora Universitária, 2003, p. 285-302.

FERNANDES, Sueli. Práticas de letramento na educação bilíngue para surdos. Curitiba: SED/DEE, 2007.

FERREIRA, Aurélio B. de H. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2009.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, [Trabalho original publicado em 1969], 2007.

______. Microfísica do poder. Tradução e Organização de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal Ltda. [Trabalho original publicado em 1979], 1999.

______. Os anormais. In: Resumo dos cursos do Collège de France (1970-1982). Tradução de Andréa Daher. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997, p. 59-68.

______. A ordem do discurso. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Loyola, 1996.

______. A história da sexualidade I: a vontade de saber. Tradução de Maria Thereza Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1990.

______. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução: Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. DP&A Editora: Rio de Janeiro. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11. ed., 1996.

KRSITEVA, Julia. Estrangeiro para nós mesmos. Tradução Maria Carlota Carvalho Gomes. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

KOCH, Ingedore G. V. Introdução à linguística. São Paulo: Contexto, 2004.

LIMBERTI, Rita. C. P. Discurso indígena: aculturação e polifonia. Dourados: UFGD, 2009.

MAHER, T. M. A Educação do Entorno para a Interculturalidade e o Plurilinguismo. In: KLEIMAN, A. B.; CAVALCANTI, M. C. (orgs.) Linguística Aplicada: suas Faces e Interfaces. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007, p.255-270.

MAIA, F. P. S; AMATO, L. J. D.; CÁRDENAD, L. O. G. Relações bilíngues em escola pública no Programa Escolas Interculturais de Fronteira (PEIF). In SÁ, R. L. Português para falantes de outras línguas: interculturalidade, inclusão social e políticas linguísticas, 2016, p. 33-54.

MUSSATO, Michelle Sousa. O que é ser índio sendo surdo? Um olhar transdisciplinar. Dissertação (Mestrado em Letras) Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas, 2017.

NEVES, Maria H. de M. Gramática de usos do português. São Paulo: Editora Unesp, 2000.

OLIVEIRA, Gilvan Müller de. Políticas Linguísticas: uma entrevista com Gilvan Müller de Oliveira. REVEL, v. 14, n. 26, 2016.

ORLANDI, Eni. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. 6. ed. São Paulo: Pontes, 1999.

PÊCHEUX, Michel. FUCHS, Catherine. A propósito da Análise Automática do Discurso: atualização e perspectivas. In: GADET, Françoise; HAK, Tony. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Tradução: Bethânia Mariana et. al. Campinas: Editora da Unicamp, 1990, 163-252.

PERLIN, Gladis. Identidades surdas. In: SKLIAR, C. (org.) A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Editora Mediação, 1998.

QUADROS, Ronice M. de. Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: ARTMED, 1997.

RAMOS, Maria A. da S.; LIMBERTI, Rita de C. A. P. Trajetória da educação escolar para indígenas: o percurso de construção de sentido. In: LIMBERTI, Rita de C. A. P.; GUERRA, Vania M. L.; NOLASCO, Edgar C. (orgs). Olhares sobre a constituição do sujeito contemporâneo: cultura e diversidade. Dourados: Editora UFGD, 2013.

RINALDI, Giuseppe. (org.). A Educação dos Surdos. Vol. II (Série Atualidades Pedagógicas). Brasília: MEC/SEESP, 1997.

RODRÍGUEZ-ALCALÁ, C. Políticas públicas de direito à língua e consenso etnocultural: uma reflexão crítica. In: Orlandi, E. Discurso e políticas públicas urbanas: a fabricação do consenso. Campinas: Editora RG, 2010.

SACKS, Oliver W. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Trad. Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SILVA, Vilmar. Educação de surdos: uma releitura da Primeira Escola Pública para Surdos em Paris e do Congresso de Milão em 1880. In: QUADROS, Ronice M. de (org.). Estudos surdos I. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2006.

Downloads

Publicado

2020-02-14